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Será que é hora de vender o meu carro?

Por Raphael Segato

O ano de 2021 foi histórico para o mercado de usados. Com uma série de acontecimentos motivados pela pandemia da Covid 19 os números e dados finais surpreenderam. A valorização de carros usados chegou a 21% ou mais e o mercado de venda de usados viu as vendas aquecerem em mais de 54%, conforme pesquisa da KBB encomendada pela revista EXAME.

 Os números parecem ótimos, afinal o seu bem valorizou!

Mas aí que está a pegadinha! Com a valorização do valor dos carros usados, muitos se viram tentados a vender o carro e comprar um zero, mas acontece que os preços de carros zero também dispararam. Ou seja, em muito dos casos mesmo com a valorização no preço de venda, o valor ganho não era suficiente para comprar um bom carro zero km.

A opção então passou a ser o mercado de usados, que por sua vez vive uma escassez de estoque e também possui preços abusivos. Fica então a pergunta, é realmente hora de vender o meu carro?

A resposta é não! E o motivo é simples, as negociações de carro agora com preços inflacionados causam a falsa sensação de ganho. Na maioria das vezes, o valor arrecadado não é suficiente para adquirir um carro novo e assim fica restando as opções de carros usados. O mercado de usados pode não ser um bom negócio, porque envolve o estado de uso e mecânica do veículo entre outros muito fatores. O câmbio por exemplo, contribuiu muito para esse aumento do custo de produção e importação de matérias primas.

As estimativas são que o mercado deixou de ser abastecido com algo em torno de 10 a 15 milhões de veículos novos, o que provocou uma quebra na cadeia produtiva de carros. Além disso, outros componentes muito menores, como chips por exemplo, impedem a normalização do fornecimento, segundo dados da ANFAVEA(Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

A tentação é grande, porque todo mundo acaba achando que a oportunidade é única, mas só faz sentido se for para quitar dívidas ou sanar as contas. Se a ideia é trocar de carro por uma versão melhor, a dica é esperar.

Em entrevista para o Idinheiro, o advogado e economista Alessandro Azzoni, afirma que o momento é tão confuso que os dados remetem aos anos 80. Para veículos usados são esperados uma desvalorização anual de 15% a 20% e o que vimos no último ano foi uma valorização de 20%. As opções que restam para compra de um carro em bom estado têm entre 1 e 4 anos de uso.

O vilão do momento é; “...não existe mais carro popular no mercado brasileiro de automóveis. Enquanto um carro popular deveria ter o preço de R$ 25 mil reais, hoje nós temos carros ditos populares custando R$ 55 mil reais, e isso não é preço de carro popular...” Afirma Azzoni

Outro ponto de atenção é o aumento da taxa SELIC, que acaba deixando os financiamentos mais caros.

Resumindo, seu carro valorizou! Mas isso não significa ganho imediato. Cautela e cuidado são fundamentais agora. Não se deixe empolgar pela sensação de ganhos, você pode fazer um negócio que parece muito bom agora e se arrepender em poucos meses.